A Umbanda codoense tem sua origem no povoado Santo Antônio dos Pretos, no município de Codó, ainda no século XVIII. Naquele período, o povoado funcionava como um importante refúgio para escravizados que fugiam dos sistemas de opressão e buscavam reconstruir suas vidas em liberdade. Nesse ambiente marcado pela resistência, pela dor e pela esperança, começaram a se firmar práticas espirituais que misturavam saberes africanos, indígenas e elementos do catolicismo popular. Essas manifestações, carregadas de simbolismo e ancestralidade, formaram as bases da religiosidade que mais tarde se desenvolveria como a Umbanda codoense.

Com o passar dos anos, a espiritualidade que nasceu no povoado não permaneceu restrita a ele. A fé se espalhou pela sede do município, alcançando bairros, comunidades mais distantes e áreas rurais, onde encontrou terreno fértil para florescer. A Umbanda codoense se consolidou como uma expressão dinâmica e profundamente enraizada na cultura local, preservando rituais tradicionais ao mesmo tempo em que incorporava novas influências. Atualmente, estima-se de forma extraoficial que Codó possua quase 400 terreiros de Umbanda, número que evidencia a força, a multiplicidade e a vitalidade dessa manifestação religiosa no cotidiano do povo codoense.
Entre as figuras mais importantes dessa trajetória, destaca-se Maria Piauí, reconhecida como uma verdadeira desbravadora da Umbanda em Codó. Seu papel vai muito além do domínio espiritual: ela é vista como um símbolo de luta, coragem e continuidade ancestral. Embora seu nome sempre seja lembrado com grande respeito pela comunidade, sua contribuição ainda carece de homenagens institucionais que expressem adequadamente a magnitude de sua atuação histórica. Maria Piauí permanece, assim, como um ícone de resistência cultural e espiritual, cuja herança continua inspirando gerações.

Nos dias atuais, Codó vivencia uma Umbanda modernizada, em harmonia com as transformações sociais contemporâneas. Cada vez mais jovens se aproximam da religião, aprendendo seus fundamentos, participando das giras, assumindo responsabilidades dentro dos terreiros e garantindo a perpetuação dos saberes tradicionais. Nesse contexto, as roupas brancas, cuidadosamente bordadas e preparadas para as festas, representam mais do que vestimentas religiosas: são símbolos de pureza, devoção e respeito aos Orixás, guias e encantados que acompanham os filhos de santo em sua caminhada espiritual.
O reconhecimento institucional também tem avançado. A Umbanda codoense recebeu homenagem do Poder Legislativo Municipal, que aprovou o Projeto de Lei nº 25/25, de autoria do vereador Araújo Neto, oficializando o Dia do Terecô, celebrado em 10 de julho — data de nascimento do saudoso pai de santo Bita do Barão, uma das figuras mais emblemáticas e respeitadas da religiosidade local e nacional.
Além disso, em 18 de julho, o Legislativo de Codó foi simbolicamente transformado em um terreiro de Terecô, abrindo suas portas para que a espiritualidade tradicional ocupasse um dos espaços mais importantes da cidade. Esse gesto representou um marco histórico, uma demonstração de respeito à cultura do povo codoense e ao legado dos mestres espirituais que construíram essa tradição.

Assim, a Umbanda codoense segue viva, pulsante e em constante renovação. Mantém suas raízes ancestrais firmes enquanto se adapta e dialoga com as novas gerações. É uma religião que atravessou séculos, resistiu a perseguições, superou preconceitos e hoje se afirma como parte fundamental da identidade cultural e espiritual de Codó. Seu legado é feito de fé, resistência, memória e continuidade — elementos que garantem que essa tradição permaneça forte e luminosa para as gerações futuras.
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